Drishti – Kriya ou exercícios de fixação ocular

24 06 2011

Drishtis são técnicas de fixação ocular que estimulam e revitalizam músculos e nervos óticos e ampliam a concentração. Podemos utilizar pontos de referência que estão no próprio corpo ou pontos externos ao corpo. Estas técnicas podem ser executadas como kriyá efetivamente e também associado aos ásanas, pránáyámas e bandhas. Esses exercícios também são conhecidos como tratak.

 

Drishtis podem ser feitos de olhos abertos ou fechados, mas o ideal é que se execute drishti com os olhos semi-fechados, para não haver cansaço, forçamento e desconforto. Quando executado de olhos abertos recebem o nome de bahiranga drishti e atuam mais como kriyás. Quando executado de olhos fechados recebem o nome de antaranga drishti e atuam mais como exercícios focalizados para concentração e meditação. O estímulo exercido nos nervos óticos tem um reflexo direto nos sistema nervo central, fator que estimula ainda mais o samyama (dháraná, dhyána e samádhi).

 

Comece a execução com um minuto de permanência e vá gradualmente aumentando o tempo de fixação. Dez minutos de drishtis é um bom tempo de execução. A técnica denominada ekágratá é muito similar ao drishti. Drishti é a técnica de fixação ocular enquanto ekágrata envolve toda a consciência no ponto visualizado. Os drishtis citados abaixo que utilizam o próprio corpo como referência são facilmente acoplados na execução de ásana, auxiliando na concentração durante a execução das técnicas corporais e evitando dispersão da mente. O sentido da visão é o entre os cinco sentidos sensoriais (Indriya) o que mais causa dispersão e instabilidade na mente.

 

Drishtis que utilizam o próprio corpo como referência:

-Nasagrá drishti – fixação ocular na ponta do nariz;

-Bhrúmadhya drishti – fixação na região do intercílio, no ájña chakra;

-Nabhi drishti – fixação ocular na região do umbigo;

-Angustha madhyai – fixação ocular nos dedos polegares de mãos os pés;

-Hastagrai drishti – fixação numa das mãos;

-Pádayoragrai drishti – fixação ocular nos dedos dos pés;

-Dakshina párshwa drishti – fixação ocular para o lado direto e acima do ombro direito;

-Vama párshwa drishti – fixação ocular para o lado esquerdo e acima do ombro esquerdo;

-Úrdhwa drishti – fixação ocular com o rosto para cima, em direção ao céu.

-Drishtis que não utilizam o corpo como referência:

-Bhúcharí drishti – fixação ocular no vazio;

-Agni drishti – fixação ocular no fogo (chama de uma vela, fogueia, etc.);

-Tára ou táraka drishti – fixação ocular numa estrela;

-Súrya drishti – fixação ocular no sol (somente durante o sol nascente ou poente);

-Chandra drishti – fixação ocular na lua;

-Guru drishti – fixação ocular na imagem do Guru;

-Ishta Devata drishti – fixação ocular a imagem de culto próprio;

-Shrí Yantra drishti – fixação ocular no Shrí yantra;

-Shiva drishti – fixação ocular na imagem de Shiva;

-Ganesha drishti– fixação ocular na imagem de Ganesha;

-Kalí drishti – fixação ocular na imagem de Kalí;

-Krishna Drishti – fixação ocular na imagem de Krishna etc.

 

As técnicas abaixo devem ser sempre executadas com muito bom senso, principalmente com a supervisão de um professor experiente e que possua conhecimento neste tipo de técnica. Caso tenha alguma dúvida, execute pouca permanência e perceba como o seu corpo reage, se estiver tudo bem, perfeito. E se mesmo assim persistir a duvida em relação aos drishtis, opte por não fazer, tenha sempre bom senso consigo e respeite-se a si mesmo, o seu corpo é o seu veículo para evoluir no Yoga, ahimsá!!!

 

1º exercício:

Sente-se confortavelmente em ásana (posição firme e agradável), com a coluna alinhada e com a cabeça acompanhando o alinhamento da coluna, as mãos podem ficar em Jñána Mudrá ou Shiva Mudrá, gestos que estimularão a concentração. Esta é a uma forma bem tradicional de execução desta técnica, na qual você se senta, coloca uma vela acesa na altura dos seus olhos a uma distância de no mínimo meio metro do seu rosto, nem tão baixa e nem tão alta para não causar desconforto e mantenha o olhar fixo na chama da vela. Mentenha os olhos bem abertos e pisque o mínimo possível.

 

Já progressivamente aumentando o tempo de permanência neste agni drishti, comece com um minuto de permanência (ou até menos) e vá ao longo das semanas aumentando o tempo de permanecia no drishti, 10 minutos é um bom tempo de execução.

 

Você pode proceder à técnica da mesma maneira descrita acima com os outros itens citados anteriormente: Bhúcharí drishti – fixação ocular no vazio, tára ou táraka drishti – fixação ocular numa estrela, súrya drishti – fixação ocular no sol (somente durante o sol nascente ou poente), chandra drishti – fixação ocular na lua, etc.

 

Lembre sempre de observar-se para manter a coluna alinhada durante toda a execução da técnica. O próximo exercício é mais destinado a alunos com bom tempo de prática.

 

 

2º exercício:

Sente-se em padmásana, siddhásana, samanásana ou sukhásana e coloque as mãos sobre os joelhos em jñána mudrá ou chin mudrá.

 

Executaremos agora uma técnica que irá intercalar dois drishts, utilizando o corpo como referência visual. Essa é uma técnica mais avançada que será associado ao pránáyáma e exigirá do praticante bom tempo de prática, pois o praticante necessitará uma boa de capacidade respiratória. Uma técnica preliminar é o bhastriká pránáyáma, na qual você executará por até cinco minutos (5 min.), faça várias sessões de bhástrika pránáyáma nesse espaço de tempo. Se você achar que cinco minutos é muito tempo, escute o seu corpo e faça de acordo com a sua capacidade respiratória. O bhástrika pránáyáma visa expandir da resistência respiratória para permanecer com em retenções com ou sem ar. A expansão de capacidade respiratória será fundamental para a execução de kúmbhakas (antar e bahya), retenção com ar nos pulmões e retenção sem ar nos pulmões, que serão associados aos dois drishts.

 

Iniciando o exercício: ao inspirar eleve a cabeça e execute khechari mudrá, a compressão da língua contra o palato mole. Durante todo o tempo de kúmbhaka, retenção com ar nos pulmões, execute bhrúmadhya drishti, fixação na região do intercilio, no ájña chakra. Permaneça confortavelmente em kúmbhaka, executando khechari mudrá e bhrúmadhya drishti.

 

Precisando exalar, desfaça o khechari mudrá e bhrúmadhya drishti e associe todo o movimento de exalação com a flexão da cabeça para baixo. Ao esvaziar completamente os pulmões, pressione o queixo contra a parte alta do peito (jalándhara bandha), contraia bem a musculatura da região abdominal (uddiyana bandha), contraia os músculos dos esfíncteres do ânus e uretra (mulá bandha) e faça a fixação ocular na ponta do nariz, nasagrá drishti. Permaneça confortavelmente com os pulmões vazios, executando bandha traya (os três bandhas) e o nasagrá drishti.

 

Precisando inspirar, desfaça mulá bandha, uddiyana bandha e por último jalándhara bandha. Associe todo o movimento de inspiração com a elevação da cabeça até projetá-la bem para trás, iniciando um novo ciclo de kúmbhaka (retenção com ar nos pulmões), associado ao khechari mudrá e bhrúmadhya drishti, e assim os ciclos se sucedem. Execute por 10 minutos, mas respeite o tempo de evolução na técnica, inicie com um minuto para adquirir resistência física para executar as três técnicas simultaneamente.

 

Durante toda a inspiração vivencie prána sendo direcionado para a região do ájña chakra e ao reter com ar nos pulmões, vivencie a ativação de ájña chakra. Ao exalar vivencie prána se direcionando para a base da coluna, muládhara chakra. Ao reter sem ar nos pulmões, vivencie a ativação do muládhara chakra, sede de shaktí kundaliní. Ao inspirar novamente, visualize a energia ascendendo da base da coluna para a região do ájña chakra. Mantenha essa visualização durante todo esse exercício.

Daniel Nodari (Mahádeva) Om Namah Shivaya


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