Nada Bindu Upanishad

24 06 2011
OM! Que o meu discurso seja baseado na (ou seja, de acordo com) mente;
Que minha mente seja baseada no discurso.
Oh Eu único refulgente, revele-Te para mim.
Que vocês ambos (discurso e mente) sejam os portadores do Veda para mim.
Que tudo que eu tenho ouvido não se afaste de mim.
Eu devo juntar em conjunto (ou seja, a diferença de remover) o Dia
E a noite através deste estudo.
Eu devo dizer que é verbalmente verdadeiro;
Eu devo dizer que é mentalmente verdadeiro.
Que Aquele (Brahma) possa proteger-me;
Que Aquele proteja o orador (ou seja, o professor), que Aquele proteja-me;
Que Aquele proteja o orador – que Aquele proteja o orador.
OM! Haja Paz dentro de mim!
Haja Paz em meu ambiente!
Haja paz nas forças que atuam em mim!

 

1: A sílaba “A” é considerada a sua (o pássaro de OM) asa direita; “Upanishad” é a esquerda; “M”, é a cauda; e o Ardha-Matra (metade do verso métrico) é dito ser a sua cabeça.
2: As (Rajasica e Tamasica) qualidades, seus pés dianteiros (para os lombos); sattva, seu (principal) corpo; Dharma é considerado como sendo o seu olho direito; a Adharma o seu esquerdo.
3: O Bhur-Loka está situado em seus pés; o Bhuvar-Loka, em seus joelhos; o Suvar-Loka em seus ombros; e o Mahar-Loka em seu umbigo.
4: Em seu coração está situado o Jano-Loka; o Tapo-Loka em sua garganta e o Satya-Loka no centro de sua testa, entre as sobrancelhas.
5(a): Então, o Matra (ou Mantra) além do Sahasrara (mil raios) é explicado (ou seja), deve ser explicado.
5(b)-6(a): Um adepto de Yoga que cavalga o Hamsa (o pássaro cisne So Ham) assim (ou seja, contempla o OM), não é afetado pelas influencias karmicas ou por dezenas de miríades de pecados.
6(b) – 7: O primeiro Matra tem Agni como seu Devata (deidade que preside); o segundo, Vayu como seu Devata; o seguinte Matra é resplandecente como a esfera do sol e, o último, Ardha-Matra, o sábio conhece como pertencente a Varuna (a deidade que preside a água).
8: Cada um desses Matras tem realmente três Kalas (partes). Isto é chamado Omkara. Conhece-o por meio de Dharanas, ou seja, concentração em cada um dos doze Kalas (ou variações dos Matras produzidos por diferença de Svaras ou entonação).
9 – 11: O primeiro Matra é chamado Ghoshini; o segundo, Vidyunmali (ou Vidyunmatra); o terceiro, Patangini; o quarto, Vayuvegini; o quinto, Namadheya; o sexto, Aindri; o sétimo Vaishnavi; o oitavo, Sankari; o nono, Mahati; o décimo, Dhriti (Dhruva); o décimo primeiro, Nari (Mauni); e o décimo segundo, Brahmi.
12: Se acontece de uma pessoa morrer no primeiro Matra (enquanto o contempla), ele nasce novamente como um grande imperador em Bharatavarsha.
13: Se no segundo Matra, ele se torna um ilustre Yaksha; se no terceiro Matra, um Vidyadhara; se no quarto, um Gandharva (estes três são as hostes celestiais)
14: Se acontece de morrer no quinto, ou seja, Ardha-Matra, ele vive no mundo da lua, com a patente de um Deva grandemente glorificado lá.
15: se no sexto, ele se funde em Indra; se no sétimo, ele chega à sede de Vishnu; se no oitavo, Rudra, o Senhor de todas as criaturas.
16: Se no nono, em Mahar-Loka; se no décimo, em Janoloka (Dhruva-Loka –?); se no décimo primeiro, Tapoloka, e se no décimo segundo, ele atinge o estado eterno de Brahma.
17: Aquilo que está além desses, (ou seja) Para-Brahma que está além (acima de Matras), o puro, o todo permeante, além de Kalas, o sempre resplandecente e a fonte de todos os Jyotis (luz) deve ser conhecido.
18: Quando a mente vai para além dos órgãos e de Gunas e é absorvida, não tendo a existência separada e nenhuma ação mental, então (o Guru) deve instruí-lo (quanto ao seu novo ciclo de desenvolvimento).
19: Esta pessoa sempre empenhada nesta contemplação e sempre absorvido nela deve gradualmente abandonar seu corpo (ou família) seguindo o rumo do Yoga e evitando todas as relações com a sociedade.
20: Então, ele, sendo livre de laços do karma e da existência como um Jiva, e sendo puro, goza da suprema bem-aventurança por sua realização do estado de Brahma.
21: O homem inteligente emprega sua vida sempre no conhecimento da suprema bem-aventurança, desfrutando de seu Prarabdha (porção do karma passado que agora está sendo desfrutado) sem fazer qualquer reclamação dele.
22 – 23(a): Mesmo depois de Atma-Jnana (o conhecimento de Atman, ou Eu) ter despertado (em alguém), o Prarabdha não deixa (ele); mas ele não sente o Prarabdha após o advento de Tattva-Jnana (o conhecimento do Tattva, ou a Verdade), porque o corpo e outras coisas são Asat (não-real), como as coisas vistas em um sonho, para alguém que desperta dele (do sonho).
23 (b) – 24: Essa parte do Karma que é feita de partes de nascimentos anteriores e chamada Prarabdha não afeta em nada a pessoa (Tattva-Jnani), assim como não há renascimento para ele. Como o corpo que existe no estado de sonho é falso, assim é este corpo.
25(a): Onde está então o renascimento de uma coisa que é ilusória? Como pode uma coisa ter qualquer existência, quando não há nascimento (para ele)?
25(b) – 26(a): Assim como o barro é a causa do material da panela, assim se aprende do Vedanta que o Ajnana é a causa do material do universo e quando Ajnana deixa de existir, onde então está o cosmos?
26(b) – 27: Assim como uma pessoa através da ilusão confunde uma corda com uma serpente, assim o tolo não conhecendo Satya (a verdade eterna) vê o mundo (como verdade). Quando ele sabe que é um pedaço de corda, a idéia ilusória da serpente desaparece.
28 – 29(a): Assim quando ele conhece o substrato eterno de qualquer coisa e de todo o universo se torna (portanto) vazio (para ele). Onde está então Prarabdha para ele, o corpo sendo uma parte do mundo? Portanto, a palavra Prarabdha é aceita para iluminar o ignorante (somente).
29(b) – 30: Então, como Prarabdha tem, no decorrer do tempo, desgastado, ele que é o som resultando da união de Pranava com Brahma, que é o próprio esplendor absoluto, e que é o doador de todo bem, ele brilha como o sol na dispersão das nuvens.
31: O Yogue estando em Siddhasana (postura) e praticando o Vaishnavi-Mudra, deve sempre ouvir o som interno através do ouvido direito. (Este é o exercício para ouvir o Nada)
32: O som que ele pratica desta forma, o faz surdo para todos os sons externos. Tendo superado todos os obstáculos, ele penetra o estado de Turya no prazo de quinze dias.
33: No inicio de sua pratica, ele ouve muitos sons estrondosos. Eles gradualmente se desenvolvem em tom e se tornam mais e mais sutis.
34: Primeiramente, os sons são como aqueles procedentes do oceano, nuvens, tambor e cataratas; no meio (estágio) aqueles (sons) procedem de Mardala (um instrumento musical), sino e búzio.
35: No último estágio, aqueles (sons) procedem de tilintar de sinos, flauta, Vina (um instrumento musical) e abelhas. Assim ele ouve muitos sons, cada vez mais e mais sutis.
36: Quando ele chega a esse estágio, quando o som do grande tambor está sendo ouvido, ele deve tentar distinguir somente o sons mais e mais sutis.
37: Ele pode mudar sua concentração dos sons grosseiros para os sutis, ou do sutil para os grosseiros, mas ele não deve permitir que sua mente se desvie deles em relação aos outros.
38: A mente tendo em princípio se concentrado em qualquer som, fixa firmemente nele e é absorvido nele.
39: Ela (a mente) tornando-se insensível às impressões externas, torna-se um com o som, como o leito com a água e, em seguida, torna-se rapidamente absorvida em Chidakasa (o Akasa onde Chit prevalece).
40: Sendo indiferente em relação a todos os objetos, o Yogue tendo controlado suas paixões, deve pela pratica contínua, concentrar sua atenção no som que destrói a mente.
41: Tendo abandonado todos os pensamentos e sendo livre de todas as ações, ele deve sempre concentrar sua atenção no som e (então) Chitta (mente) se torna absorvida nele (no som).
42 – 43(a): Assim como a abelha bebendo mel (isoladamente) não se importa com o cheiro, assim Chitta que está sempre absorvida no som, não se prolonga nos objetos sensuais, pois ela esta vinculada pelo cheiro doce de Nada e tem abandonado sua natureza mutável.
43(b) – 44(a): A serpente Chitta ouvindo ininterruptamente o Nada é inteiramente absorvida nele e se torna inconsciente de tudo, concentrando-se no som.
45(b) – 46(a): Ele serve ao propósito de uma armadilha para prender veados – Chitta. Ele também serve ao propósito de uma costa para as ondas do oceano de Chitta.
46 (b) – 47(a): O som procedente do Pranava, o qual é Brahma, é da natureza do esplendor; a mente se torna absorvida nele; que é a sede suprema de Vishnu.
47 (b) – 48(a): O som que existe até lá é a concepção Akasica (Akasa-Sankalpa). Além disto, é o (Asabda) sem som Para-Brahman, o qual é Paramatman.
48(b): A mente existe enquanto há som, mas com a cessação do som há o estado chamado Unmani de Manas (ou seja, o estado de ser acima da mente).
49(a): Este som é absorvido no Akshara (indestrutível) e o estado de não som é a sede suprema.
49(b) – 50(a): A mente que junto com o Prana (Vayu) tem (ela) afinidades karmicas destruída pela constante concentração sobre o Nada, é absorvida no Imaculado. Não há dúvida disto.
50(b) – 51(a): Muitos milhares de Nadas e muitos mais de Bindus – (todos) se tornam absorvidos no som Brahma-Pranava.
51(b) – 52(a): Sendo livre de todos os estados e de todos os pensamentos, qualquer que seja, o Yogue permanece como morto. Ele é um Mukta. Não há dúvida sobre isto.
52(b): Depois disto, ele não ouve a qualquer momento os sons de conchas ou de Dundubhi (grande tambor).
53: O corpo no estado de Unmani é certamente como um tronco e não sente calor ou frio, alegria ou tristeza.
54: O Chitta do Yogue, tendo desistido de fama ou vergonha está em Samadhi acima dos três estados.
55: Quando a (espiritual) visão se torna fixa sem qualquer objeto para ser visto, quando Vayu (Prana) se torna ainda sem qualquer esforço, e quando Chitta se torna firme sem qualquer apoio, ele se torna a forma do som interno de Brahma-Pranava.
Tal é o Upanishad.

OM! Que o meu discurso seja baseado na (ou seja, de acordo com) mente;
Que minha mente seja baseada no discurso.
Oh Eu único refulgente, revele-Te para mim.
Que vocês ambos (discurso e mente) sejam os portadores do Veda para mim.
Que tudo que eu tenho ouvido não se afaste de mim.
Eu devo juntar em conjunto (ou seja, a diferença de remover) o Dia
E a noite através deste estudo.
Eu devo dizer que é verbalmente verdadeiro;
Eu devo dizer que é mentalmente verdadeiro.
Que Aquele (Brahma) possa proteger-me;
Que Aquele proteja o orador (ou seja, o professor), que Aquele proteja-me;
Que Aquele proteja o orador – que Aquele proteja o orador.
OM! Haja Paz dentro de mim!
Haja Paz em meu ambiente!
Haja paz nas forças que atuam em mim!

Aqui termina o Nadabindu Upanishad, como contido no Rig-Veda.

Traduzido para o Inglês por
K. Narayanasvami Aiyar
Fonte de Consulta
Vedanta Spiritual Library

Traduzido para o Português por
Uma Yoguini em Seva a Sri Shiva Mahadeva
Brasil – RJ
Novembro/2009

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