ॐ O Dharma e a Satya (verdade) são as fontes da felicidade

23 07 2012

O Dharma e a Satya ( verdade ) são as fontes da felicidade. Mantenha as ações do corpo, mente e fala no Dharma e acima de tudo aplicar a verdade sempre. Aplique a verdade consigo e com as pessoas que estão próxima e distantes emocionalmente de você. A inverdade é a o bloqueio da felicidade temporária e a fonte dos processos ilusórios da vida, a inverdade gera karmas negativos, principalmente para aquele que comente a inverdade.

A inverdade gera muitos processos ilusórios , tais como luxúria, egoísmo, irá, raiva e preocupação mental. É muito mais fácil dizer um não e não sofrer com as conseqüências karmicas negativas das ações cometidas pelo desvio de conduta de corpo, mente e fala. A inverdade gera venenos emocionais silenciosos dentro do agente da ação, afasta da felicidade efetiva e corrói o coração a as emoções.

O medo é um temor constante para o praticante da inverdade. Opte pelo dharma e pela verdade, com isso a mente fica serena e livre de prana densos e ser feliz se torna muito mais fácil do que se imagina. Apenas tente de hoje em diante e verás um estado de felicidade com maior equilíbrio surgir em você.

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Texto de Daniel Nodari Mahādeva – yogashamkara@gmail.com – (51) 9186.1617
YOGA EM CACHOEIRINHA / RS  https://yogashamkara.wordpress.com/

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Dharma and satya are the source of happiness

23 07 2012

Dharma is the source of happiness. Keep your actions of body, mind and speech in the Dharma, and above all apply always the truth (satya). Apply the truth with youself and who you are emotionally close and distant from you. Untruth is the blocking of temporary happiness and the source of illusory processes of life, untruth generates negative karma, especially for those who comment on the untruth.

The untruth generates many cases illusory processes such as lust, selfishness, anger, rage and mental preoccupation;

It is much easier to say no and do not suffer with the consequences from the negative karmic of actions committed by the misconduct.

Untruth generates a silent emotional poisons inside the agent’s action, it keeps you away from the effective happiness and erode the emotions, mind and heart. Fear is a constant emotion for the practitioner of untruth.

Opt dharma and truth (satya), thus the mind overcome calm and free of prana dense and the happiness becomes much easier than you think. Just try to change from now to always.

Daniel Nodari Mahadev

https://yogashamkara.wordpress.com/

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ॐ Svadhyaya (estudo sobre si) e o ato de julgar

16 04 2012

Vamos escolher apenas uma atitude que praticamente tomamos todos os dias e vamos ver uma forma de aplicar o niyama svadhyaya, estudo sobre si. Yama e niyama são de vista éticos definidos pelo sábio Patanjali e expostos obra Yoga Sutra, são as reais bases para a nossa caminhada na senda do Yoga.

O julgamento alheio é um dos melhores caminhos para auto observação. Julgamos alguém apenas baseamos nas próprias concepções de vida e escolhas que tomamos. Afirmar que alguém está tomando atitudes “erradas” é apenas o ato de perceber que o outro está demonstrando quais são os seus próprios valores.

Não estamos falando sobre a ética das ações, pois isso seria outro ponto a ser avaliado, estamos tentando demonstrar que normalmente fazemos isso baseado em atitudes que estão em contextos ético/social e que são aceitos por todos na sociedade. Portanto, dizer que alguém está “errado” não significa que este alguém esta quebrando as regras da sociedade.

Sendo assim, julgar é acima de tudo o ato de “não gostar” de algo que o outro fez, simples. Julgamos também quando o outro faz ou fala algo sobre você, assim fica fácil perceber o quanto seu ego se ofende com facilidade.

Mas por que julgar o outro pelas suas próprias atitudes? Devemos ter em mente que se alguém age de determinada maneira é devido as suas experiências de vida e que tais experiências são apenas os motores das ações. Ao invés de julgar o outro, pense em desenvolver a própria tolerância e o respeito alheio, pois assim como você julga o outro pelas próprias suas atitudes o outro também pode julgar você pelas suas próprias atitudes. E se alguém julgar você, você poderia a partir de agora se perguntar: será que eu realmente estou errado ou é apenas a outra pessoa que não gosta das minhas atitudes? A segunda resposta com certeza será a escolhida por você, pois assim como você não se sente errando, o outro também não se sente errando nas suas ações. Inverta os papéis e se posicione o papel do outro. O seu ego não admitirá que você esta errando e muito menos se isso vier de um julgamento alheio.

São os karmas passados e atuais que nos fazem agir. Troque o próximo julgamento pela observação da própria tolerância. Troque o próximo julgamento pela observação dos seus próprios padrões mentais. Transforme os seus simples julgamentos no niyama svadhyaya, estudo sobre si. Veja mais sobre este niyama em: https://yogashamkara.wordpress.com/2010/05/07/svadhyaya-auto-estudo/ . Se começarmos a pensar dessa maneira estamos realmente aplicando de forma bem direta a prática do Yoga em nossa vida diária. O Yoga não fica na esfera das posturas (asanas), conquistar excelentes asanas não é Yoga.

Tente, antes da próxima vez que for julgar, refletir sobre a ação alheia e aprenda a tolerar a si próprio. Tente não deixar que o seu ego rapidamente levante escudos em relação à atitude alheia. Se da próxima vez você se ofender com uma atitude alheia, observe se você realmente não é assim como a outra pessoa está lhe dizendo. Desarme-se e aplique esta forma de auto estudo (shadhyaya). A atitude alheia também pode ser uma forma direta de você aprender e aceitar a si próprio. Julgue menos, tolere mais, aprenda mais sobre si com o outro, confie, entregue, respire profundo e seja mais feliz.

abraços Daniel Nodari Mahadeva – https://yogashamkara.wordpress.com





O Ashtanga Yoga de Pātañjali

2 12 2011

O sistema conhecido Ashtanga Yoga de Pātañjali é a uma das bases para compreendermos o Yoga. O termo ashtanga vem da junção de duas palavras de origem sânscrita: ashta e anga. Ashta significa oito e anga significa parte ou membro. Sendo assim, Ashtanga Yoga é o Yoga das oito partes ou oito membros. Foi a partir do sábio Pātañjali e da sua obra Yoga Sūtra, que o Yoga passou a integrar as seis escolas ortodoxas (ou filosóficas) da tradição do Hinduísmo. Existem muitas divergências em relação à data de composição do Yoga Sūtra, porém a data mais aceita gira em torno do séc. III a.C.

O Yoga Sūtra contém apenas 196 aforismos e é divididos em 4 capítulos. Pode parecer um número pequeno de frases para uma escritura de valor tão importante, por outro lado, a riqueza e complexidade intrínsecas nos aforismos são de valores e sabedoria infindáveis. Toda a compreensão das etapas do sādhana (prática espiritual do Yoga) estão presentes nos sūtras. Desde a compreensão de todo o complexo mental, passando por ensinamentos físicos e metafísicos. Alguns sūtras são de relativa rápida compreensão, porém a grande maioria é extremante complexa de ser compreendido sob a forma autodidata ou não iniciática. Ter uma rápida compreensão de algum sūtra não significa compreender a essência real do sūtra. Por isso a importância de se manter a tradição de mestre-discípulo para não cometemos erros oriundos da interpretação pessoal.

As oitos partes do Ashtanga Yoga

1-Yama: proscrições éticas

2- Niyama: prescrições éticas

3- Āsana: posturas

4- Prānāyāma: exercícios respiratórios para a ampliação da energia

5- pratyahara: retração dos sentidos

6- Dhārana: concentração

7- Dhyāna: meditação

8- Samādhi: iluminação

Yama e niyama contém 10 pontos éticos. Yamas é constituído por cinco pontos: āhimsa (não agressão), satya (veracidade), asteya (não roubar), brahmācharya (controle sobre os sentidos) e aparigraha (não possessividade). Niyama consiste nos outros cinco: shauchan (limpeza), santosha (contentamento), tapas (auto-superação), svādhyāya (auto estudo) e īshvara pranidhāna (entrega a Deus).

Deveríamos pensar as oitos partes como degraus de uma escada na qual devemos subir degrau após degrau. Devemos estar totalmente conscientes do nosso momento atual, estar consciente que a subida de cada degraus é um processo retilíneo e tentar não estar apegar na idéia do que será o próximo passo.  Quando fazemos isso tiramos o foco do tempo presente.

Uma das idéias de Yama e Niyama é promover uma reflexão sobre como estamos levando a própria vida e como estão os nossos pensamentos e ações. Uma reflexão feita de maneira verdadeira já promoverá mudanças no caráter e no coração. Estando absorvidos com a essência dessas observâncias éticas é que começamos a pensar no corpo (postura), prática de prānāyāmas, começar as vivenciar os primeiros passos para a concentração (pratyahara), aprender a focar a mente e obter boa concentração e assim tentar desfrutar de uma experiência de meditação. Nos sūtras não existem descrições de āsanas como em outras escrituras modernas (Hatha Yoga Pradipika, Gheranda Samhita etc), portanto, subentende-se que āsana tenha o sentido de dhyānāsana (postura que prepara para prānāyāmas e meditação).  Essa breve explicação constitui o sistema chamado de Ashtanga Yoga.

Jay Pātañjali Om namah Guruji – abraços Daniel Nodari Mahadev





Īśvara Pranidhana: entrega a Deus

7 05 2010

Īśvara significa Senhor ou Deus enquanto pranidhana significa entrega, dedicação. Īśvara pranidhana é a entrega dos nossos esforços a essas energias superiores na qual chamamos de Deus. Assim como um devoto busca forças em seu Ista Devata ao mesmo tempo ele também confere o frutos de suas ações.

Este īśvara é um arquétipo que nos confere a força espiritual para progredirmos no sādhana do Yoga. Precisamos de arquétipos mentais para poder compreender os planos espirituais. Podemos buscar a força em Ganeśa quando queremos proteção e desbloqueio dos nossos caminhos; força em Śiva para progredirmos na meditação; conhecimento em Sarasvatī; fortuna espiritual em Lakśmi; determinação e busca no re-estabelecer em Rāma, a devoção em Hanuman etc, quando estamos buscando este tipo de força espiritual estamos buscando īśvara para transcendermos as nossas limitações mentais. Como a prática de rituais (pūjā) (que tem origem no Bhakti Yoga) faz parte do dia a dia da cultura hindu, o ato de lembrar de īśvara, ou agradecer as deidades, acaba fazendo parte da própria vida, assim estamos sempre à mente focada, ou pelo menos se esforçar para estarmos sempre focada.

Ao longo de todo o dia podemos fazer pequenos atos de entrega, por exemplo, antes das refeições, normalmente usando o sloka 24-IV da Bhagavad Gītā para lembrar de Brahman, oferecer o alimento, lembrar que todo o alimento vem da Terra e de Brahman. Assim conseguimos ter o controle sobre os nossos sentidos e instintos e ainda fazer uma prática devocional. Controlar a mente com fome é difícil, mais o difícil ainda é controlar a mente estando na frente de uma refeição servida. Esse é um momento que a mente fica muito agitada e simplesmente quer com que o dono da mente coloque logo toda aquela comida para dentro do corpo para satisfazer os desejos. Nesse momento que parece difícil falar em īśvara pranidhana, este sloka nos ensina a ter paciência, devoção, controle sobre os nossos sentidos e respeito a īśvara. Pela cultura bhakti, é tradição oferecer todo o alimento à Brahma, então quando estamos cozinhando evite ficar cheirando e provando a comida. A prática consiste em retirar os desejos em relação ao alimento, tenha sempre em mente que o alimento que você irá preparar será um alimente oferecido, por isso não ficamos desejando o alimento. Isso começa desde o ato de escolher os alimentos, depois de cortar os legumes, refogar, temperar etc. Faça o alimento com este sentimento bhakti, sirva e antes de ingeri-lo recite o sloka, pode ser também oferecido no altar para as deidades e depois servido como prasad, alimento consagrado. E o mais incrível que quando preparamos qualquer alimento com um sentimento devocional puro e verdadeiro, sempre acertamos nos temperos.

Brahmārpanam Brahma Havir

Brahmāgnau Brahmanā Hutam

Brahmaiva Tena Gantavyam

Brahma Karma Samādhinaha

O instrumento em que se oferece é Deus. A oferenda é Deus.
O fogo é Deus. O ato de oferecer é Deus.
Aquele que realiza o oferecimento é Deus.
Bhagavad Gtā, Capítulo IV, verso 24

Por mais que tenhamos determinação na execução dos nossos atos, às vezes, por motivos explicáveis, a concretização das ações não acontece. Inexplicáveis à nossa mente limitada, mas não aos planos astrais.

Quando algo que planejamos por muito tempo não acontece ficamos irados, chateados, aborrecidos e muito estressado com a realização não obtida. Tais estados emocionais só pioram as situações. Já que aconteceu, aconteceu… Não adianta perder a cabeça que não vai mudar em nada a situação ocorrida, pelo contrário, só piorará as coisas para você. É bem simples, se não tem solução, solucionado está!!! Em qualquer situação você terá sempre duas opções. Se o seu problema tiver uma solução relaxe, pois a solução chegará, pode demorar, mas chegará. Ou, se o seu problema não tiver solução não se estresse, pois a solução vai nunca chegará e você sé perderá tempo na vida buscando uma solução que não existe. Īśvara pranidhana pode atuar mais ou menos por este mecanismo, quando as situações ficarem longe do seu domínio, deixe para lá… entregue os atos aos planos astrais superiores, ao destino, à Brahma, ao Puruśa, ao seu Ista Devata (deidade de culto próprio), ao cosmos, anjo da guarda ou de qualquer outro nome dar entregar a situação.

Têm coisas que estão muito além e aquém da nossa compreensão mental, íshwara pranidhana é essa energia que nos cerca e que está além dos nossos alcances mundanos. Isso não indica situação de passividade, conformismo ou fatalismo, pelo contrário, isso indica que devemos estar sempre lúcidos em todas as situações de nossas vidas para poder administrá-las melhor, dando sempre o máximo de si e sempre buscando alternativas com atos de humildade para as superarmos as mais diversas situações.

Tudo na existência é regido pela impermanência, (aparentemente) existem momentos de fraqueza que nos fazem tomar certos atalhos e sem que nos demos conta colocamos as nossas vidas por água abaixo, por conseqüência geramos karmas que nos são vistos como erros imperdoáveis. Em questão de segundos tudo que perfeito em nossa vida se torna um verdadeiro caos. Às vezes somos nós que tangenciamos a nossa vida, outras vezes outras pessoas cruzam na sua vida e mudam o seu destino. Tudo é karma, tudo é um grande efeito borboleta.

A primeira coisa que no vem à mente quando algo muito forte acontece em nossas vidas é a idéia de questionar próprio Deus fazendo a velha pergunta: “onde estava Deus na hora que tanto errei”? īśvara está onde sempre esteve, a única coisa é que vivendo em níveis de stress elevados e de desgastes energéticos tão grandes que acabamos não olhando para īśvara como deveríamos. Na verdade até olhamos mas não enxergamos com sinceridade e fé, ficamos cegos e caímos nas baixas vibrações mentais e astrais. Daí vem à segunda pergunta: “porque Deus fez isso comigo?”. Deus não fizeste nada contigo, quem fez qualquer coisa a você foi você mesmo pelo simples fato de deixar de orar e vigiar. No momento que começamos a orar com a mente e não mais com o coração estamos falhando, no momento que deixamos de vigiar os nossos pensamentos estamos nos enfraquecendo. Orai e vigiai pode ser facilmente compreendido como grande dedicação aos rituais de Bhakti Yoga e Rāja Yoga. Quem ora está em Bhakti Yoga, quem vigia a mente está em Rāja Yoga.

Os erros que antes eram imperdoáveis com o tempo acabam se tornando os maiores tutores de sua vida. Somente assim estaremos diante de um grande processo de transformação efetiva. Os mesmo erros que antes eram imperdoáveis devem e precisam ser perdoados por você mesmo, se você não perdoa a si próprio você não pode esperar que as pessoas o perdoem, se você não ama a si próprio não pode esperar que as pessoas o amem, se você não respeita a si próprio como exigir respeito dos outros.

Com a “real experiência de transformação” você pode aprender em um período de um mês muito mais do que em sete anos de simples acúmulo de leituras que ficam apenas guardadas nos planos da mente. Conhecimento teórico realmente não serve para nada sem uma experiência de realização. Você pode ter uma vida inteira de dedicação a leitura de livros, mas se não tiver um segundo de experiência transcendental você não compreenderá a essência do conhecimento. É como querer cheirar um perfume de dentro de um frasco sem retirar a tampa. Você pode ter o vidro do perfume em mãos não terá a fragrância do perfume em sua mente. O conhecimento teórico é na verdade num grande alimentador do ego e mesmo que você não perceba, esse ego já pode estar numa proporção tão gigantesca que você não conseguirá nem mesmo ver o próprio ego, às vezes uma queda pode ser necessária para você conseguir ver isso dentro de você. Por mais dolorida que seja a queda, ela poderá salvar a sua própria vida, nunca desista da prática de Īśvara Pranidhana. Entregue seu ato aos Devas, ore, vigie e dia após dia transforme-se em algo melhor através dos atos de entrega. Dica: funciona mesmo, portanto não duvide! “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses” (Rubem Alves).

Isso constitui os yama e niyama definidos por Sri Pátañjali Maharishi.

Om namah Śivaya – ॐ नमः शिवाय
Mahādeva (Daniel Nodari) – महादेव





Svādhyaya – Auto Estudo

7 05 2010

De uma maneiora geral, a senda do Yoga é um constante processo de auto estudo. Através do Jñāna Yoga, estudo das escrituras do Vedānta, obtemos o conhecimento intelectual entre o real e o irreal. Mas não só no Vedānta que obtemos os caminhos para o auto conhecimento, o estudo das Upanisads, dos Vedas, o Sāmkhya, o Tantra (que serviu de apoio para a própria criação do Hatha Yoga) são outros meios para a compreensão do Ser.

Na vida Yogi o conhecimento intelectual não serve como caminho para  a libertação, o Yogi vai muito além da simples especulação filosófica mental. De que vale a conhecimento sem a experiência? Como é possível falar em silêncio da mente que nunca experimentou o que é silêncio? Como descrever o gosto de uma fruta se nunca provou tal fruta? Como falar sobre paz se a própria mente vive em guerra? É essa experiência que o Yogi busca, entrar de cabeça naquilo que está nas escrituras para poder realizar a experiência do que está contido nas escrituras.

Mas para poder nos entregarmos totalmente aos śastras precisamos ter sraddha, algo que falta muito nos dias de hoje. Sraddha (fé) é acreditar cegamente nos ensinamentos dos Gurus, muitos Mestres dedicaram toda uma vida em nome da Yoga ou Vedānta e obtiveram libertação (mokśa) ou iluminação por acreditar nos ensinamentos já escritos por outros Mestres realizados espiritualmente. Deixe o ego de lado e pare de duvidar um pouco dos outros. Portanto não tente inventar nada de novo, e siga os śastras (escrituras e os ensinamentos dos Gurus), se os gurus falaram algo é porque já realizaram este algo, basta seguir.

Svādhyaya às vezes é traduzido como estudo sobre as escrituras, na verdade essa é uma interpretação e não a tradução literal. Na verdade todo o conhecimento que está nas escrituras serve para você conhecer a si próprio, portanto quem estuda as escrituras deve estudar a si próprio, esse é o propósitos das escrituras. De nada vale o conhecimento sem a experiência, esse é o caminho do auto estudo por Pātañjali.

Svādhyaya consegue sintetizar bem o conhecimento dos outros yama e niyama, se você adota uma atitude de observador perante a si próprio (sakśi bhavan), você está constantemente observando a sua relação com yama e niyama. Traga o olhar para dentro de si e observe se você vivendo uma vida em ahimsā (não violência), em satya (verdade), asteya (sem roubo), brahmacarya (controle dos sentidos), aparigrahā (não possessividade), śaucan (limpeza), santosa (contentamento), tapas (auto superação) e īsvara pranidhana (entrega à Deus). Isso é estar consciente da própria vida e não simplesmente viver por viver dia após dia sem consciência da própria vida.

Om namo narayanaya

Danil Nodari Mahadeva





Tapah – Auto-superação

7 05 2010

A auto-superação é uma prática constante e deve estar sempre presente na vida do yogin. Tapah ou Tapas significa calor, intensidade na disciplina, austeridade, auto superação.

Tapas é a própria prática de disciplina e por isso está em todos os aspectos da vida do sādhaka (praticante). Levar consigo as normas éticas (Yama e Niyama) no dia-a-dia é tapas. Ter paciência e não negligenciar o sādhana é tapas. Buscar a cessação de toda a agitação mental e fluir em dhyāna (meditação) é tapas. Acordar meia hora mais cedo todos do que o habitual para praticar meditação é tapas. Cultivar sempre pensamentos positivos é tapas. Transformar os pensamentos negativos em pensamentos positivos é tapas. Se preocupar com a felicidade dos outros, indiferente do credo, dogma, filosofia, sexo, idade e auto superação.

A aplicação de Tapas na execução de um āsana (postura) é tão importante quanto em qualquer outra técnica do yoga. Se quiseres ter perfeição em āsana, perfeito, utilize tapas e evolua, mas sempre lembre de ter o mesmo anseio em evoluir em dhyāna. Tenha o mesmo desempenho em dhyāna, japa, prānāyāma etc… Existe uma tendência moderna e ocidental de achar que o Yoga é āsana, de comprimir a filosofia do Yoga nessa prática de Hatha Yoga. Pelos Sūtras de Pātañjali o āsana é apenas um oitavo do processo evolutivo, pois isso busque equilibrar a sua prática de maneira harmoniosa.

Por mais que busquemos vários termos para definir este Niyama, duas palavras podem expressar bem este conceito de forma bem direta: disciplina e foco na prática. Se você tem foco e sabe aonde quer chegar com a sua prática de Yoga, terá disciplina para buscar os objetivos. Terá uma imensa força de vontade para superar todos os obstáculos par alcançar os objetivos do sādhana espiritual do Yoga.